domingo, 21 de setembro de 2008

As duas webs

Entre a ditadura e a liberdade de expressão

Costumo comparar as duas fases da web - web 1.0 e web 2.0 - com parte da história vivenciada no Brasil, entre os anos 60 e 80. Nossos pais conheceram os encantos da liberdade de expressão, após a derrocada da ditadura militar. Com ela, os meios de comunicação de massa voltaram a ganharam voz e os preceitos militares (líderes durante a censura) se tornaram apenas mais um dizer entre a multiplicidade de opiniões que se espalhava pela mídia.

Assim foi com a web 2.0. O usuário se tornou sujeito de algo, ator social no palco da grande aldeia global. Nesse movimento, da periferia para o centro, esse sujeito ganhou poder e espaço gratuito para disseminar suas idéias.
Ele não precisa mais esperar que alguém se conecte a rede para enviar ou receber mensagens, como era na web 1.0. Se no início, a rede servia para troca de informações, predominantemente, via e-mails, com mensagens fechadas, hoje, o cenário é outro.

A opinião e o olhar de anônimos encontram palco e platéia nessa gigantesca plataforma Web. O usuário, antes relegado à periferia da construção de saberes e conteúdos, também é maestro dos dizeres que se tornam público. Ele não só gera informação, como altera o produto de outros usuários. Se a Web 1.0 era apenas um canal que distribuía mensagens, a web 2.0 oferece ferramentas para os usuários produzirem a mensagem.
Parece que a Web 2.0 tornou plena a democracia da informação. A verdade não é pronunciada por quem detém os veículos de comunicação de massa. Ela corre em paralelo, e às vezes, com mais força pelas conexões da rede.

Porém, ainda hoje vivemos uma ditadura. Mas agora é uma ditadura às avessas, é a ditadura de informação. Se, na época do governo militar, a informação era escassa porque era controlada por poucos. Hoje, ela se reproduz a uma velocidade incontrolável e invade a rede de forma que é praticamente impossível checar sua utilidade e veracidade. Talvez por isso já estejamos ouvindo falar em web semântica. A próxima linhagem da web promete facilitar ainda mais a vida dos usuários já que a máquinas seriam preparadas para buscar o termo pesquisado levando em consideração o sentido de tal palavra. É esperar para conferir.

2 comentários:

Curso Jornalismo Online segunda edição disse...

Oi,
Tua constatação, a partir da análise da Web 2.0, é corretissima. A web semantica está se tornando uma necessidade cada vez mais premente porque nós não teremos como administrar avalancha informativa se ela continuar crescendo no ritmo atual (e nada indica o contrario).
Um abraço
Castilho

Sandra disse...

Oi, Mariangela!
Adorei o seu texto nesse post...parabéns!
abs